quarta-feira, 21 de novembro de 2007

METADE




E que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio,

Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca,

Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.


Que a musica que eu ouço ao longe, seja linda, ainda que triste,

Que o homem que eu amo seja pra sempre amado mesmo que distante,

Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.


Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece,
e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta a uma mulher inundada de sentimentos,
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,

E que essa tensão que me corroi por dentro seja um dia recompensada,

Porque metade de mim é o que penso e a outra metade é um vulcão.


Que o medo da solidão se afaste,
e que o convívio comigo mesmo, se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância,
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito,

E que o teu silêncio me fale cada vez mais,

Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba,

E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer,
Porque metade de mim é platéia, e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada,

Porque metade de mim é amor, e a outra metade... também.

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