segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Adolescência Tecnológica
eu sempre repito que gostaria de ter vivido minha adolecência antigamente e não no dia de hoje. há cada dia que passa, fico mais triste por ter esse desejo debatendo dentro de mim. apesar de ser dependente assumida, detesto a tecnologia. detesto como ela faz as pessoas se afastarem e há cada dia, terem laços menos fortes. antigamente os relacionamentos não aconteciam por computador. é que agora, dizem, a comunicação está cada vez mais avançada. mas seria isso um avanço ou uma regressão, levando em conta como as coisas eram mais saudáveis e divertidas? que continham emoções reais e não emoções pré-fabricadas. quando eu era menor, nós não ficavamos trancados no quarto na frente de uma tela, nós viviamos. valorizavamos os eventos escolares, que pela minha percepção são muito mais ativos na cultura americana, na qual fui criada. as viajens, as campanhas, as atividades, os talent shows, cheerleading practices, jogos de litlle 8 e big 4, gincanas, comemorações, drama classes e plays. antigamente, mas antigamente mesmo, não tinhamos como fazer identidades falsas, e entrarmos em boates escuras. boates que digam o que quiser, corrompem a inocência. tudo parece tão glamuroso, até que a conciência bate. acho que é disso que sinto falta, da inocência, da descoberta, da leveza do pensamento. de quando tinhamos que descobrir as coisas por experiência e não por uma pesquisa no google. de quando compravamos CDS em lojas de maneira empolgada, e não baixavamos música na internet. de quando usavamo o telefone para falar com as pessoas e não o MSN. de quando tinhamos que nos expressar cara-a-cara e não por e-mails. quando eu era criança, tinha a criatividade à flor da pele. inventava coreografias, fazia shows, cantava, fazia concursos de canto, teatros, brincadeiras, vestia fantasias. hoje, há cada geração que surge, essas coisas vão ficando cada vez mais esquecidas e menos valorizadas. vocês já pararam pra pensar, realmente, como nossos filhos vão ser? na minha época de colégio, high school para ser exata, existia uma certa emoção em ir para a escola todas as manhãs no onibus escolar, decifrar as pessoas, analisar grupinhos, fazer apresentações e tentar se auto-afirmar. existia uma tensão positiva em fazer amizade com as pessoas interessantes, ir à suas festas e sentir-se parte de algum lugar. mas acima de tudo, dentro de nós mesmos. estavamos procurando nossa identidade no dia a dia e não em fotologs, now-fashions, comunidades, e etc. o que mais dói ás vezes, é saber que naquela época eu nem sabia o que tinha nas mãos. é saber que acabou, e que nada vai se comparar à essa incrível época de experimentação e procura. talvez isso se chame crescer, e se sim, eu não quero precisar crescer. mas o mais esquisito de tudo, é saber que isso tudo nem faz tanto tempo assim, e que parece fazer uma eternidade. foram anos 90 de ouro. mas como disse robert frost; "nothing gold can stay".
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